Doenças

Injeção para enxaqueca é a nova esperança para tratamento

Quem sofre de enxaqueca vive em uma constante busca por soluções que amenizem o sofrimento da condição. Uma nova esperança para estes pacientes é o anúncio de uma injeção para enxaqueca, que demonstrou o potencial para reduzir a frequência das crises pela metade.

Pode não parecer uma grande solução, mas a verdade é que sofrer metade das crises já é um alívio e tanto para quem é constantemente afetado por essas dores insuportáveis que podem ser até mesmo debilitantes enquanto ocorrem.

Trata-se, na prática, no único tratamento preventivo desenvolvido especialmente para a enxaqueca em décadas. Não é à toa, portanto, que tantos pacientes ficam empolgados com a chegada. Entenda como funciona a injeção para enxaqueca para promete estar disponível em breve para os pacientes:

O que é a injeção para enxaqueca?

A injeção para enxaqueca, chamada até então de Erenumab, busca ser uma medicação de aplicação mensal. Podendo ser aplicada diretamente de casa, o remédio busca bloquear receptores nervosos que estão ligados ao início das crises de enxaqueca.

Seu uso mensal demonstrou uma redução de cerca de 50% nas crises de pacientes durante o teste de seis meses de aplicação. A injeção foi desenvolvida por um laboratório chamado Novartis, que busca a licença para comercialização do produto na União Europeia, devendo ampliar sua área de atuação em seguida.

Como o medicamento funciona?

O novo tratamento é, na prática, um anticorpo desenvolvido para bloquear os receptores de certos peptídeos no cérebro, que são fundamentais no desenvolvimento de uma crise de enxaqueca.

Este peptídeo, chamado pela sigla CGRP é um neurotransmissor que instrui o cérebro a ativar os sensores nervosos na cabeça e no pescoço. Várias pesquisas anteriores já demonstraram que pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam níveis anormalmente altos de CGRP durante as crises. Este excesso causa o excesso de estímulos nervosos que são convertidos em dor.

É exatamente por isso que o uso de um bloqueador dos receptores faz as crises reduzirem. Sem poder “interpretar” o estímulo, o cérebro não dá início ao processo químico que resulta na enxaqueca.

O que o estudo apontou?

O último teste realizado com o medicamento envolveu 955 pacientes que, mensalmente, receberam doses mensais da injeção em um grupo e de placebo em outro grupo, durante 24 semanas, sem que soubessem em qual grupo se encontravam.

Os pacientes que receberam a injeção para enxaqueca apresentavam uma média de oito dias de enxaqueca por mês. Durante o período em que utilizaram o medicamento, a média caiu para cinco dias de enxaqueca por mês.

Além disso, para cerca de 50% dos pacientes, os dias de crise reduziram em metade ou mais, demonstrando que a tendência é que o medicamento seja ainda mais eficiente do que a média, nas pessoas que reagem bem a ele.

Quando a injeção para enxaqueca estará disponível para o público?

Após os testes, a empresa Novartis já solicitou a licença para que possa ser vendida na Europa, e aguarda pelas decisões das autoridades para começar a ser produzida e comercializada em grande escala. Obviamente, a aprovação em contexto europeu facilita que a chegada do produto ocorra em outros países, como o Brasil.

Uma esperança no desenvolvimento de soluções mais duradouras

Para além da já importante perspectiva de redução da frequência dos ataques, a injeção para enxaqueca representa um ganho muito importante na vida de quem sofre de enxaqueca. É, em décadas, a primeira vez que se encontrou um caminho eficiente de reduzir as causas da enxaqueca.

Este novo passo representa, portanto, a esperança de que novas soluções, cada vez mais poderosas, sejam encontradas para melhorar a qualidade de vida de uma condição que é tão séria e, tantas vezes, menosprezadas pelas pessoas que não sofrem de enxaqueca.

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