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Chá de urtiga

Mais conhecida pela reação causada pelo contato da planta com a pele, a urtiga pode ser considerada, graças às suas propriedades fotoquímicas, uma grande aliada medicinal. De acordo com a literatura, existem três espécies de urtiga mais relevantes quando o assunto é o seu uso terapêutico: a Urtica dioicaUrtica urens L, e Urtica membranaceasendo a primeira a mais popular e a mais utilizada, tanto na cozinha, devido à sua riqueza nutricional, quanto em tratamentos dos mais variados males. Sendo as folhas, a parte onde se encontram as maiores concentrações de princípios ativos, como os compostos fenólicos, alcaloides, poliacetatos, esteroides, ácidos fenólicos, como o ácido gálico e ácido caféico, flavonoides, como a catequina e apigenina, delas é possível obter maior eficácia.

Além do uso propriamente medicinal, a urtiga também tem sido explorada pelas áreas cosmética e farmacêutica, na confecção de shampoos contra caspa, e cremes para tratamento de eczema e até para loções destinadas à recuperação da coloração original dos cabelos. À espécie Urtica dioica, também conhecida como urtiga maior, ou urtigão, são atribuídos poderes no tratamento de doenças do trato urinário (como rins e bexiga), do aparelho digestivo, além de aplicações dermatológicas. Tais poderes se devem aos compostos fenólicos e ácido linoleico (ômega 6), que lhe conferem ação antioxidante, e de flavonóides e polifenóis, que agregam propriedades analgésica e anti-inflamatória.

Outra aplicação eficaz das propriedades da Urtica dioica se faz no combate ao diabetes tipo II. Isso, porque os extratos atuam na atividade dos ilhéus de langerhans, no pâncreas, na inibição da absorção intestinal da glicose, auxiliando numa redução próxima de 60% nos níveis de açúcares do sangue. Outra propriedade da urtiga dessa espécie, validada por estudos científicos, é a ação antimicrobiana. Verificou-se que seu poder contra fungos e bactérias como a Escherichia coli, Candida albicans e Streptococcus pneumoniae, apresentou melhores resultados do que os antimicrobianos normalmente utilizados. Mais uma aplicação que se pode destacar, sem dúvidas, é a utilizada no tratamento da hiperplasia benigna da próstata, o aumento da glândula, que comprime a uretra e pode desencadear diversos sintomas, como a diminuição do fluxo urinário.    

Já a espécie Urtica membranacea, também chamada de urtiga-de-caudas, composta de diversas propriedades medicinais, é usada popularmente como auxiliar na redução dos níveis de colesterol, no controle do diabetes, além de também ser empregada em tratamentos dermatológicos. Por fim, a espécie Urtica urens, conhecida também como urtiga menor, foi relatada como útil no combate ao reumatismo e, também, em tratamentos da pele. O efeito contra dores articulares se explica pela ação do flavonoide patuletina e do ácido clorogênico, como potentes anti-inflamatórios. Além de anti-inflamatório, ao flavonoide também foi atribuída a propriedade antimicrobiana, que se mostrou eficaz contra diversas espécies de fungos e bactérias.

Além dos usos relacionados acima, estudos científicos validaram, também, a utilização da urtiga, seja na forma de chás, extratos, ou outros produtos, em tratamentos de artrites e artroses, eliminação de cálculos renais (por seu efeito diurético), eliminação de caspas e seborreia, além de ação remineralizante. São muitos os benefícios já validados pela ciência, porém, as propriedades medicinais da urtiga exigem cautela no uso, assim como se orienta em relação aos medicamentos industrializados, pois o uso indiscriminado pode trazer prejuízos à saúde. Assim, é recomendável buscar orientações junto a um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos sobre fitoterapia, antes de adotar o uso do chá de urtiga, pois somente o profissional capacitado poderá avaliar suas condições de saúde, histórico de doenças e alergias, se há, de fato, real indicação do uso, para, então, determinar a melhor dosagem e frequência de ingestão

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