Pedro Mendes

Chá de sene

Sene, cassia, fedegoso-do-rio-de-janeiro ou mamangá. Muitos são os nomes populares da planta, que é uma das mais utilizadas em casos de constipação intestinal. No meio científico, sua nomenclatura também varia, entre Senna alexandrina e a Cassia angustifolia, principalmente, prevalecendo o primeiro entre os taxonomistas modernos. Assim como os nomes, também são muitas as variações da erva, que ultrapassam 250 espécies, quase em sua totalidade utilizadas em chás medicinais.

Benefício do chá de sene

Pertencente à família Fabaceae, que abriga desde plantas herbáceas, até árvores de grande porte, o sene é nativo da região central do continente asiático, sendo atualmente cultivado em diversas outras localidades, e tem preferência pelo clima semiárido. As partes mais utilizadas são as folhas, embora os frutos também contenham princípios ativos. A planta contém fitoquímicos comprovadamente ativos, sendo os mais importantes, os glicosídeos, responsáveis pelo efeito laxativo.

Graças ao estímulo da motilidade intestinal, e à redução da absorção de líquidos, mantendo-os concentrados nas fezes, que se tornam amolecidas – daí o emprego do chá em quadros ocasionais de prisão de ventre. O método mais usado é o de infusão (imersão do material em água fervida, e ainda quente, deixado em recipiente fechado por alguns minutos), não ultrapassando 12 gramas de folhas ou pó. Seu efeito costuma surgir após cerca de 12 horas, então, recomenda-se ingerir o chá de sene antes de dormir. 

Alguns cuidados

Como dito acima, a indicação do chá de sene se restringe a quadros ocasionais de constipação intestinal. Já em casos crônicos, ou que sejam decorrentes de doenças intestinais, como estenose – ou estreitamento – intestinal, doença de Crohn e colite ulcerativa, por exemplo, o uso do chá de sene é totalmente contraindicado, já que seu efeito pode ser bastante agressivo para o organismo. Outros males que tornam o uso contraindicado são apendicite, processos inflamatórios em geral, cistite, insuficiência hepática, insuficiência renal, problemas cardíacos, assim como em casos de dores abdominais cuja origem não tenha sido identificada.

Além dos pacientes que apresentem os quadros já mencionados, também devem evitar o chá de sene as gestantes, mulheres que estejam amamentando, crianças com idade inferior a 12 anos. Outro ponto importante e que exige atenção é a possível interação entre os princípios ativos do sene e alguns remédios, como é o caso de medicamentos diuréticos, ou os utilizados em quadros de doenças cardíacas, e alguns analgésicos, sendo essa interação bastante perigosa.

Mesmo para pessoas cujo uso é liberado, a cautela deve prevalecer, já que a ingestão frequente ou em doses muito concentradas, pode ocasionar reações adversas, como náuseas, vômito, cólicas severas, espasmos, diarreia – podendo levar à quadros de desidratação. Assim, vale sempre lembrar que o uso de plantas medicinais, assim como se recomenda no caso dos medicamentos industrializados, deve ser feito com cautela, e sob orientação médica, pois o uso indiscriminado pode representar sérios riscos e, até mesmo, trazer prejuízos à saúde.

O ideal é buscar a orientação, se possível, de um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos relacionados ao uso de plantas medicinais, para que o profissional devidamente capacitado possa avaliar suas condições de saúde, hábitos, a existência ou não de real indicação, para determinar, então uma dosagem e uma frequência seguras. 

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