Pedro Mendes

Chá de mulungu

Da mesma família a que pertencem árvores ornamentais muito conhecidas do nosso cotidiano, como a que dá nome ao país, a Paubrasilia echinata Lam. – ou Pau-Brasil -, o mulungu merece destaque. Muitos são os seus nomes, sendo “mulungu” o mais popular, de origem africana. No meio científico, o mulungu foi registrado inicialmente como Erythrina verna, denominação modificada recentemente.

Informações gerais

Atualmente, seu nome científico passou a ser Erythrina mulungu, sendo conhecido popularmente, também, como amansa-senhor, corticeira, bico-de-papagaio, sapatinho-de-judeu, sananduva, dentre outros nomes regionais. Membro da família Fabaceae, que abriga, também, leguminosas como as dos gêneros Arachis (amendoim) e Pisum sativum (ervilha), o mulungu vai muito além do uso ornamental: os compostos encontrados em seu extrato, fitoquímicos importantes, o colocaram no centro de diversos estudos científicos, na busca pela confirmação de suas propriedades medicinais.

Árvore classificada como de porte médio, podendo alcançar 20 metros de altura, o mulungu faz parte da mata nativa existente na região que abrange a América Central e a América do Sul, e tem preferência pelo cerrado e pela caatinga. Podendo se desenvolver sob climas mais amenos, como os encontrados nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, na Mata Atlântica, especialmente em matas abertas e encostas.

A parte mais utilizada para a preparação do chá de mulungu são as flores, descritas na literatura como grandes, de coloração que varia entre o vermelho e o alaranjado. Outras partes também costumam ser utilizadas, como a casca do tronco, frutos e a raiz. O uso popular do mulungu tem sido indicado, através dos tempos, para os mais diversos objetivos, desde religiosos, para afastar energias negativa, por exemplo, até tratamentos de enfermidades, como esclerose e dores reumáticas.

Segundo descrito na literatura, a infusão preparada com as raízes e a casca do mulungu é largamente utilizada em banhos e garrafadas (beberagem empregada no tratamento de doenças), mencionado seu uso, inclusive, no preparo de iniciantes durante a reclusão ritual do Candomblé, com a finalidade de induzir o seu relaxamento. Em estudos já realizados, os alcaloides eritrínicos, encontrados principalmente nas sementes e na casca do mulungu, foram apontados como os responsáveis pelos efeitos comprovadamente produzidos no sistema nervoso central.

Benefícios

Tais pesquisas foram motivadas pelo histórico uso popular como planta medicinal, e muitos dos resultados obtidos a incluíram em documento que notificou a ANVISA quanto à sua indicação em quadros leves de ansiedade e insônia, como calmante leve, na sua forma de decocção (material fervido junto com a água). Nessa linha, foram obtidos resultados positivos em diversos estudos realizados com vasta quantidade de espécies de mulungu, confirmando suas ações sedativa, ansiolítica (combate a ansiedade), anticonvulsivante, entre outras.

Embora formulações contendo mulungu sejam comercializadas no Brasil desde 2009, sob pedido médico, sem casos de efeitos adversos até hoje, as propriedades medicinais e alto teor de alcaloides nele contidos, exigem cautela no uso da planta. Seu uso é contraindicado para pacientes portadores de doenças cardíacas, tais como insuficiência ou arritmia, e é importante ressaltar que o uso de sementes não é recomendado, por concentrarem a maior quantidade de alcaloides.

Aviso importante

Vale lembrar que qualquer medicação, fitoterápica ou industrializada, deve ser orientada por um médico e, no caso do chá de mulungu, é importante que o profissional tenha conhecimentos a respeito do uso de plantas medicinais. O profissional capacitado irá avaliar suas condições de saúde, histórico de doenças e alergias, possíveis interações medicamentosas, para verificar se há ou não real indicação do mulungu e, então, determinar uma dosagem e uma frequência seguras para garantir benefícios sem sustos.

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