Pedro Mendes

Chá de malvarisco

Há gerações, desde os primórdios da humanidade, plantas de todos os tipos e tamanhos são utilizadas, tanto para tratar doenças, quanto como meio de preveni-las e, embora nas regiões mais urbanizadas a prática tenha quase caído no esquecimento, em locais mais afastados a medicina popular – medicina tradicional – continua sendo a primeira opção. Isso, devido à dificuldade no acesso ao atendimento médico e a medicamentos, muitas vezes, caros demais.

Assim, cientistas e pesquisadores passaram a enxergar, como verdadeira necessidade, a investigação das propriedades medicinais dessas plantas, em busca de mais informações para um consumo seguro das substâncias disponíveis nos vegetais tidos como medicinais. Pouco conhecida do grande público e distante dos holofotes da mídia, o malvarisco figura entre as plantas já estudadas.

De nome científico Althaea officinalis L., e conhecido popularmente, também, como malva-branca, malva-do-pântano, altea, bismalva, e até como marshmallow, em inglês, o malvarisco pertence à família Malvaceae, e à ordem das Malvales – do grego Machale, ou “mole”, em referência à presença de mucilagens. São essas mucilagens as responsáveis pela ação farmacológica do malvarisco.

Benefício e para que serve?

As mucilagens presentes no malvarisco são classificadas como pectinas, polissacarídeos ácidos que, dentre outros usos – como na produção de alimentos industrializados, por exemplo -, têm também funções biológicas que atuam contra inflamações de mucosas, em especial, as localizadas no trato respiratório, protegendo a região e aliviando irritações de origem física ou química. As pectinas presentes no malvarisco, chamadas arabnogalactanas, têm ação estimulante do sistema imunológico. 

Assim, conforme apontaram estudos realizados, o malvarisco têm propriedades laxativas, antitussivas (atuam no combate à tosse), expectorantes, e muito eficientes no tratamento de pneumonia. Outra propriedade atribuída ao chá de malvarisco é a de protetor das células nervosas e de reparador de tecidos, devido à vitamina B7 – ou biotina – também presente na planta. Tais atributos levam a crer que o chá também pode ser benéfico para a saúde da memória e do sistema nervoso central. 

As partes mais utilizadas são as raízes, flores e as folhas, que, respectivamente concentram maiores quantidades dos compostos bioativos responsáveis pelas propriedades medicinais da planta. O método mais utilizado para o preparo do chá é o de infusão (material imerso em água fervida, enquanto quente, mantido em recipiente fechado por alguns minutos), empregado no tratamento de doenças das vias respiratórias, lesões na boca, e inflamações intestinais.

Já a decocção (material fervido junto com a água) das raízes pode ser utilizado em banhos, para alívio de irritações, ou ingerido, para ação laxativa. Embora não haja relatos de reações adversas, é preciso ter cautela ao utilizar o chá de malvarisco, pois podem haver interações entre os compostos da planta e substâncias contidas em medicamentos que possam estar em uso no momento. 

Atenção

É sempre importante lembrar que, assim como medicamentos industrializados, os chás preparados com plantas medicinais podem, a depender da dose e da frequência, representar grandes riscos e até trazer prejuízos à saúde, caso utilizados de forma desmedida. Assim, é preciso buscar orientação médica, para que o profissional capacitado possa avaliar suas condições de saúde, hábitos, possíveis interações medicamentosas, real indicação do uso, para então determinar uma dosagem e uma frequência seguras. 

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