Pedro Mendes

TEMA: Chá de espinheira-santa

Ingerido ou aplicado sobre a pele, em forma de chá ou cápsulas, a espinheira santa, já muito utilizada há gerações no tratamento dos mais diversos males, vem ganhando notoriedade. Isso, porque a ciência farmacológica tem voltado os olhos com ainda maior atenção para os princípios ativos existentes em plantas tradicionalmente utilizadas como medicinais, sobretudo, no interior dos países em desenvolvimento. Uma das ervas que tiveram sua eficácia comprovada por estudos científicos foi, então, a espinheira santa, também conhecida como espinheira divina, salva vidas, espinho de Deus, maiteno, congorça, cancerosa, dentre outros nomes populares.

De nome científico Maytenus ilicifolia, e pertencente à família Celastraceae, a árvore pode chegar a três metros de altura, dependendo da forma de cultivo e do tipo de solo. Típica da América do Sul, a sua ocorrência no Brasil se dá desde o estado de Minas Gerais, até o Rio Grande do Sul. Tendo preferência por solos úmidos e ricos em matéria orgânica, encontra-se em maiores quantidades em sub-bosques úmidos e em matas ciliares. As partes utilizadas na preparação de chás, tinturas, compressas ou em pó, são as folhas, cascas do tronco e raízes. 

Os inúmeros benefícios do chá de espinheira-santa

Suas indicações, segundo a medicina popular, vão desde gastrites e dispepsias, até anemia, comumente utilizada, também, para induzir a menstruação. Os estudos científicos, no entanto, realizados desde 1922, e intensificados nas últimas décadas, apontam mais propriedades medicinais, dentre elas, atividade antineoplásica (que evita a multiplicação celular de tumores) e antimicrobiana.

Acredita-se que a eficácia da sua aplicação em quadros de câncer se deva ao fato de, aliada ao poder inibidor do crescimento tumoral, a propriedade imunológica da planta tenha atenuado os efeitos imunossupressores (redutores da atividade do sistema imunológico) de medicamentos normalmente utilizados. 

As propriedades terapêuticas relatadas e confirmadas pelos estudos se devem aos compostos fitoquímicos encontrados na espinheira santa, tais como terpenoides, taninos, alcaloides, macrolídeos e flavonoides. Os efeitos no trato gástrico se devem à ação de fitocomplexos, que aumentam a produção de muco, promovendo efeito protetor das paredes estomacais.

Já seu efeito antineoplásico se deve à propriedade antioxidante, efeito atribuído ao triterpeno maitesina, e à ação antimutagênica, ou seja, que inibe a transformação de células saudável em células cancerígenas, inibição induzida pelos derivados de catequina, também contidos na espinheira santa. 

Foi verificado que os taninos presentes na planta são responsáveis pela forte ação antimicrobiana, principalmente contra as bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus sp, patógenos causadores de doenças como pneumonia, meningite, faringite, erisipela, entre outras de maior ou menor gravidade. Além dos efeitos listados acima, foi verificado que a espinheira santa teria, também, efeito sedativo, anti-inflamatório e analgésico. Embora seja pouco tóxica, a espinheira santa utilizada em grandes quantidades pode causar reações adversas, tais como sensação de boca seca, náusea, gastralgia (dor de estômago).

Contraindicações

Seus efeitos contraceptivos não tenham sido comprovados, o uso da planta é contraindicado para gestantes, e a contraindicação se estende, também, às mulheres que amamentam, devido à comprovada redução da produção de leite materno. Vale lembrar que, mesmo sendo o chá de espinheira santa um produto natural, suas propriedades medicinais, assim como os medicamentos industrializados, exigem cuidado, já que a utilização indiscriminada pode trazer grandes prejuízos à saúde.

É importante, então, sempre buscar a orientação de um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos a respeito do uso de plantas medicinais, para que o profissional capacitado possa avaliar suas condições de saúde, histórico de doenças e alergias, possíveis interações medicamentosas e, então, determinar se há real necessidade de uso, e uma dosagem e frequência seguras.  

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