Pedro Mendes

TEMA: Chá de emburana

Da casca da árvore típica da caatinga nordestina, a Amburana cearensis, mais conhecida como cumaru ou imburana-de-cheiro, cerejeira, cabocla, imburana-cheirosa, cumaré, palo, roble criollo, entre outros, é possível obter diversos benefícios, graças à riqueza de princípios ativos nela encontrados. Tais princípios ativos,
inclusive, cuja existência e efetividade no uso medicinal foram confirmadas por estudos científicos.

Podendo chegar à 20 metros de altura em mata pluvial, a casca tem coloração vermelho-pardacenta, e suas flores amarelo-pardacentas são bastante aromáticas. De ampla distribuição na América do Sul, em uma área que se estende do Peru à Argentina, a emburana tem preferência pelo semi-árido e, por isso, é característica da caatinga e do cerrado brasileiro.

No entanto, a planta também se desenvolve sob os climas tropical, subtropical de altitude, e subtropical úmido, o que explica a ocorrência também na Mata Atlântica, por todo o litoral brasileiro, até a região Sudeste, de clima mais úmido e de temperaturas amenas. São seus compostos fitoquímicos a cumarina; flavonóides, como a quercetina, ácido protocatecuico, e ácido vanílico; glicosídeos fenólicos, como os amburosídios A e B, e esteróides glicosilados. Destes, os princípios ativos presentes em maior quantidade são a cumarina e o amburosidio A. Ao primeiro, são atribuídas as propriedades antimalárica, antiprotozoária, antifúngica e antibacteriana.

Benefícios

Foi verificada, também, a presença de derivados de cumarina, que teriam efeito fotossensibilizante, ou seja, a propriedade de tornar a pele mais sensível à luz do sol, o que torna a substância útil no tratamento de vitiligo. Já o amburosidio A apresentou, em estudos realizados, efeito neuroprotetor, devido, em grande parte à propriedade antioxidante da substância, o que a torna útil no tratamento da doença de Parkinson.

Sugere uma possível eficácia no tratamento de doenças degenerativas semelhantes. Outra propriedade atribuída ao amburosidio A é o efeito hepatoprotetor (protetor do fígado), Com baixos níveis de toxicidade, a emburana foi relatada como eficiente no tratamento de asma, atuando na melhora dos sintomas.

Além da asma, sua aplicação também ocorre em quadros de gripes, resfriados, tosses e infecções pulmonares. Outros males contra os quais o chá de emburana é utilizado são inflamações e cólicas uterinas e intestinais, devido às suas propriedades antiespasmódicas. Na região onde é endêmica, a emburana é utilizada popularmente em banhos, no alívio de dores reumáticas.

Suas sementes, devido ao potencial analgésico encontrado na planta, são utilizadas na redução de dores de dentes e, preparadas através do método de decocção (fervidas junto com a água), ou infusão (material depositado em água quente, deixado de repouso por alguns minutos dentro de recipiente fechado), empregadas no combate aos espasmos musculares.

Importante saber

Consta na literatura o uso da planta, também, por populações atingidas pela malária na região da Bolívia: pelo método de decocção da casca da árvore, o chá é utilizado no alívio de febre e calafrios, sintomas da doença. Apesar da baixa toxicidade apontada pelos estudos realizados, é importante lembrar que as propriedades medicinais contidas no chá de emburana, assim como medicamentos industrializados, exigem cautela.

Tornam necessário buscar orientações de um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos relacionados ao uso de plantas medicinais. Somente o profissional capacitado poderá avaliar seu perfil, condições de saúde, a existência de real indicação do uso do chá de emburana, para então determinar uma dosagem e uma frequência mais adequadas, para que se possa usufruir com tranquilidade dos benefícios da planta.

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