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Chá de chuchu

Sechium edule, machuchu, caiota, pimpinela ou, como o conhecemos na maior parte do Brasil: chuchu. Tão popular quanto estigmatizado, por conta do sabor suave – ou total ausência de sabor, para alguns -, a hortaliça-fruto cuja origem é atribuída à região da América Central é rica em nutrientes e, esse motivo, de forma isolada, já seria bom o bastante para que o vegetal tivesse maior destaque no cardápio. Boa fonte de potássio – cada 100 g de chuchu contém aproximadamente 54 mg do mineral -, e de fósforo – cerca de 13 mg, para cada 100 g do vegetal cozido -, o alimento ajuda a controlar a pressão arterial, contribui para a formação e manutenção de ossos e dentes, também colabora na contração muscular e na regulação energética do nosso organismo.

Como complemento, a ele também são atribuídos poderes diuréticos, embora tais propriedades não tenham sido comprovadas, acredita-se que o aumento da diurese aconteça devido à grande quantidade de água (cerca de 94%) contida no alimento. Há relatos de eficácia do uso do chuchu cru aplicado sobre lesões e ferimentos na pele, promovendo uma melhor cicatrização e evitando que permaneçam cicatrizes após o restabelecimento. Mas, além das vantagens do consumo da polpa do chuchu cozido, há propriedades nas folhas e brotos do pé de chuchu, que podem ser extraídas e aproveitadas por meio de decocção (fervura das folhas junto com a água), embora possa-se utilizar, também, o método de infusão (imersão de folhas em água fervente, deixadas em recipiente fechado por alguns minutos). 

Conforme apontado em diversos estudos realizados, o chá de chuchu é popularmente utilizado no tratamento de hipertensão, doença que acomete pessoas em todo o mundo. Por se tratar de uma doença multifatorial e silenciosa, o diagnóstico, muitas vezes, ocorre de maneira tardia, quando o coração já dá sinais de sobrecarga. Verificou-se, principalmente em regiões pouco desenvolvidas do ponto de vista socioeconômico, que o chá de chuchu é utilizado com ainda maior frequência pela população hipertensa no controle da doença, devido à dificuldade na obtenção de medicamentos e alimentação de qualidade. 

Nesse sentido, diversos estudos científicos foram realizados, e estes acabaram por confirmar o que dizia a sabedoria popular acerca do uso das folhas do chuchu para efeitos medicinais, concluindo que os compostos contidos na planta auxiliam na redução e controle da pressão arterial. Segundo apontamentos, a ação sobre a pressão arterial se deve aos princípios ativos que, sozinhos ou combinados, conferem a propriedade ao vegetal. Os princípios ativos encontrados no chuchu são as saponinas e polifenóis (flavonóides) aos quais são atribuídas propriedades que promoveriam o relaxamento das paredes arteriais e, tal fator combinado ao aumento da diurese promovido pelo potássio, torna o chá de chuchu um bom aliado no tratamento da hipertensão.

É importante lembrar, no entanto, que embora sejam muitos os benefícios oferecidos, e que o chá de chuchu seja natural, as propriedades medicinais exigem que se tenha cautela ao lançar mão desse aliado em tratamentos, uma vez que pode haver contraindicações ou mesmo interações prejudiciais à saúde. Assim, convém sempre procurar um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos a respeito de plantas medicinais e seu uso, para que o profissional capacitado posso realizar a devida avaliação do estado de saúde, perfil do paciente, histórico de doenças e alergias, para determinar, então se há real indicação, uma dosagem e uma frequência adequadas, afim de evitar sustos, e para que se possa, enfim, aproveitar somente os benefícios do uso do chá de chuchu.

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