Pedro Mendes

TEMA: Chá de chambá

O conhecimento popular, passado de geração para geração, nos presenteia com muitos usos de diferentes plantas medicinais, às quais são atribuídos diversos benefícios, embora seus mecanismos de ação nem sempre tenham sido comprovados cientificamente. No entanto, devido às mais variadas dificuldades na aquisição e distribuição de medicamentos industrializados.

Benefícios

Dentre esses entraves, o alto custo, os órgãos governamentais responsáveis pela regulação da saúde da população voltaram os olhos para o poder da natureza no tratamento de inúmeras enfermidades. É o caso do chambá, de nome científico Justicia pectoralis Jacq., que há gerações é utilizado, principalmente, na região Nordeste do Brasil, no tratamento de doenças respiratórias, como asma, tosse e bronquite.

A erva, pertencente à família Acanthaceae, pode atingir cerca de 29 centímetros de altura, suas pequenas flores têm coloração que varia entre o branco e o lilás, e as folhas são longas e estreitas, de cor verde que pode variar entre os tons escuros e amarelados, sendo mais aproveitados, normalmente, os talos e as folhas. Seu principal princípio ativo é a cumarina, composto fenólico distribuído amplamente entre os vegetais, e que normalmente é encontrado em raízes, frutos e sementes.

Pode ser extraído de folhas em boa quantidade. Suas propriedades são antioxidantes, anticoagulantes, anti-inflamatórias, tranquilizantes, imunossupressoras (reduz atividade do sistema imunológico), hipotensoras (reduz a pressão arterial), promotoras de relaxamento muscular, antiespasmódicas, vasodilatadoras, entre outras.

Outros benefícios

Além da cumarina, o chambá contém, também, flavonóides, alcaloides, lignanos, aminoácidos, e minerais, como o manganês, o níquel, o escândio e o vanádio. Tais propriedades justificam o uso popular da planta, tanto em forma de chá, quanto o seu extrato, de sucos e até mesmo o xarope preparado utilizando-se a parte aérea da erva. No caso de uso tópico (externo), em banhos, no tratamento de tantos outros males, além dos já mencionados problemas que acometem o sistema respiratório, como afecções do sistema nervoso, dermatite, cortes, ferimentos, afta, doenças do fígado, entre outros.

Muito além das propriedades medicinais das cumarinas existentes no chambá, o composto confere à erva um aroma muito semelhante ao da baunilha, o que tornou comum o seu uso, também, pela indústria alimentícia e pela área cosmética. Há na literatura relatos de uso da planta por tribos indígenas da Amazônia brasileira e da Venezuela, incluindo o chambá em rapés consumidos em cerimoniais, uso esse que teria poder alucinógeno, devido ao efeito dos alcaloides presentes na erva. No entanto, embora tenham sido realizados estudos com o objetivo de investigar o efeito alucinógeno do chambá, nenhum resultado confirmou tal efeito. 

Aviso importante

Vale lembrar que, mesmo sendo um produto natural, por conter propriedades medicinais, o chambá deve ser utilizado com cautela, e com acompanhamento de um especialista, pois, assim como os remédios industrializados, o uso indiscriminado pode acarretar em prejuízos para a saúde. Logo, é recomendável buscar a orientação de um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos relacionados ao uso de plantas medicinais, para que o profissional capacitado possa avaliar seu perfil, condições de saúde, histórico de doenças e alergias, e possa assim determinar uma dosagem e frequência mais adequadas a cada caso.

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