Pedro Mendes

Chá de Artemísia

A medicina tradicional povoa o inconsciente coletivo – conjunto de representações, imagens, mitos e crenças passados de geração para geração – até os dias atuais, assim como muitos mitos e lendas mágicas ou fantásticas. A artemísia, erva usada há milênios no preparo de remédios caseiros, consegue reunir dois desses componentes: figura tanto como poderosa aliada no tratamento dos mais diversos males, quanto como símbolo mágico. Assim, alguns de seus nomes populares são “deusa das plantas”, “rainha das ervas”, ou mesmo como “erva das bruxas”.

Talvez esse misticismo também se deva às propriedades medicinais da artemísia que, em sua maioria, se destinam ao tratamento de afecções das regiões urinária e genital das mulheres, o que poderia explicar o seu vínculo com a figura estereotipada da bruxa. Até mesmo o nome – Artemísia – tem forte apelo místico, já que é o nome da deusa grega Ártemis, da caça, mas também protetora dos partos. O gênero botânico artemísia abrange cerca de 380 espécies, que contêm diferentes compostos bioativos, e características próprias, assim como usos que diferem entre elas.

Benefícios

As mais populares são, respectivamente, a Artemísia vulgaris e a Artemísia absintum. No Brasil, a Artemísia vulgaris é conhecida somente como artemísia, e costuma ser utilizada para aliviar cólicas menstruais, para regular o ciclo menstrual, no combate ao nervosismo, gastrite, dores de estômago, falta de apetite, dentre outros males. Já a Artmísia absintum, que é popularmente conhecida apenas como absinto, ou ainda como losna, além de ser excelente repelente de insetos, atua no combate a vermes e parasitas, no tratamento de azias e má digestão, problemas biliares, age como estimulante uterino, dentre outros usos. 

Rica em compostos bioativos, como ácido málico, cumarina, taninos e em micronutrientes como os minerais fósforo, potássio e manganês, e as vitaminas B 12 e niacina, a artemísia tem à ela atribuídas muitas propriedades, tais como antianêmica, analgésica, antidiarreica, anti-inflamatória, antimalárica, antimicrobiana, emenagoga, febrífuga, hepática, sedativa, dentre outras. As partes utilizadas no preparo do chá são a raiz, o caule e as flores, pelo método de infusão (imersão do material em água fervida, enquanto ainda quente, e mantido em recipiente fechado por alguns minutos), embora o método de decocção (material fervido junto com a água) também possa ser utilizado em alguns casos, dependendo da indicação.

Contraindicações

É preciso atenção, no entanto, pois em grandes doses, o chá de artemísia apresenta toxicidade. Por desencadear contrações uterinas, devido à sua ação estimulante uterina, o seu uso é totalmente contraindicado para gestante e mulheres que estejam amamentando. Além de estimular contrações, pode apresentar efeitos colaterais, como vasodilatação, convulsões e reações alérgicas. É importante lembrar que as plantas medicinais, assim como medicamentos industrializados, quando utilizados de maneira desmedida, podem representar sérios riscos à saúde, e causar grandes males.

Assim, é preciso sempre buscar a orientação de um médico ou nutricionista que tenha conhecimentos relacionados ao uso de plantas medicinais, para que esse profissional capacitado possa avaliar suas condições de saúde, hábitos, real indicação do uso do chá de artemísia, bem como possíveis interações medicamentosas, para então determinar uma dosagem e uma frequência seguras, garantindo, assim, somente os benefícios da planta. 

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